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QUESTÃO 27Uma esperançaAqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.Houve um grito abafado de um de meus filhos:—Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.—Ela quase não tem corpo, queixei-me.—Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.—Ela é burrinha, comentou o menino.—Sei disso, respondi um pouco trágica.—Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.—Sei, é assim mesmo.—Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.—Sei, continuei mais infeliz ainda. [...].LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.Disponível em: https://claricelispector.blogspot.com/2008/07/uma-esperana.html. Acesso em: 17 mar. 2024.O trecho do conto de Clarice Lispector destaca uma característica peculiar da escrita dessa artista no âmbito da subjetividade, que éa presença de uma mulher como narradora personagem, pois o aspecto maternal é o que define o tema da narrativa.o hermetismo, já que esse fragmento apresenta simultaneamente elementos místicos, filosóficos e fantasiosos.a presença de animais, os quais são utilizados como instrumento para destacar o caráter intimista e introspectivo da narrativa.o cotidiano familiar, que aproxima o texto de uma crônica, dado o tema banal e a linguagem simples.a epifania, uma vez que a protagonista é surpreendida pela percepção do filho a respeito do que significa ter esperança.

Question

QUESTÃO 27Uma esperançaAqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.Houve um grito abafado de um de meus filhos:—Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.—Ela quase não tem corpo, queixei-me.—Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.—Ela é burrinha, comentou o menino.—Sei disso, respondi um pouco trágica.—Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.—Sei, é assim mesmo.—Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.—Sei, continuei mais infeliz ainda. [...].LISPECTOR, Clarice. A Hora da Estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.Disponível em: https://claricelispector.blogspot.com/2008/07/uma-esperana.html. Acesso em: 17 mar. 2024.O trecho do conto de Clarice Lispector destaca uma característica peculiar da escrita dessa artista no âmbito da subjetividade, que éa presença de uma mulher como narradora personagem, pois o aspecto maternal é o que define o tema da narrativa.o hermetismo, já que esse fragmento apresenta simultaneamente elementos místicos, filosóficos e fantasiosos.a presença de animais, os quais são utilizados como instrumento para destacar o caráter intimista e introspectivo da narrativa.o cotidiano familiar, que aproxima o texto de uma crônica, dado o tema banal e a linguagem simples.a epifania, uma vez que a protagonista é surpreendida pela percepção do filho a respeito do que significa ter esperança.

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Solution

O trecho do conto de Clarice Lispector destaca uma característica peculiar da escrita dessa artista no âmbito da subjetividade, que é a epifania, uma vez que a protagonista é surpreendida pela percepção do filho a respeito do que significa ter esperança.

A epifania é um momento de revelação súbita ou insight que um personagem experimenta, e é um tema comum na obra de Lispector. Neste trecho, a epifania ocorre quando o filho da protagonista faz uma observação perspicaz sobre a natureza da esperança, surpreendendo a mãe e levando-a a uma nova compreensão.

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